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Projeto de Pesquisa Escola de Aplicação 60 anos: histórias, memórias e parcerias

Projeto concebido pela equipe de professoras e professores da disciplina História da Escola de Aplicação da UFPA entre os anos de 2020 e 2021 e atualmente é coordenado pelo Prof. Dr. Thiago Broni de  Mesquita.  

Coordenação

Prof. Dr.

Thiago Broni de Mesquita

Professor de história da Escola de Aplicação desde 2017 e do Mestrado Profissional em Ensino de História desde 2019. Possui doutorado em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, mestrado em Ciência Política e graduação em História pela Universiade Federal do Pará. Tem experiência nas áreas de história oral, história pública, ensino de história e entre seus principais trabalhos estão sua tese de doutorado "Uma estrada revela o mundo: o SNI e os conflitos pela posse da terra no Pará" e o livro "Na estrada da memória: a história de Abel Figueiredo Pará (1960-2011)". 

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O projeto

Introdução

Em 07 de março de 2022, Jane Felipe Beltrão publicava no jornal Beira do Rio texto intitulado “Escola de Aplicação: o sonho de gerações”, onde reflete sobre os 59 anos da instituição que em 07/03/1963 era fundada com o nome de Escola Primária da UFPA, carinhosamente conhecida como “Escolinha da UFPA”. Às vésperas de completar 60 anos, a “Escolinha da Universidade” mudou algumas vezes de nome, foi Ginásio de Aplicação, Núcleo Pedagógico Integrado de 1975 até 2006 e, atualmente é conhecida como Escola de Aplicação da UFPA e mantem turmas que vão do ensino infantil ao ensino médio, sendo umas das maiores instituições entre os CAPS no Brasil.
O contexto no qual os Colégios de Aplicação foram criados remontam a transição democrática pós era Vargas em 1944, quando o então diretor do INEP, Álvaro Neiva, solicitou estudos para a implantação dos primeiros Colégios de Demonstração que seriam vinculados a Faculdade de Filosofia e teriam seus métodos de ensino baseados na Escola Nova1.
A Escola Primária da UFPA é criada na gestão do reitor Silveira Neto em março de 1963, conforme dito anteriormente, pouco mais de 05 anos após a fundação da Universidade do Pará, em julho de 1957 e se expande para Núcleo Pedagógico Integrado em 1975, dentro do contexto de atualização e expansão dos ensinos de 1º e 2º grau proposto pela ditadura militar que governava o país desde 1964 e que implementava, em termos de políticas educacionais, uma política de modernização conservadora2.
Três foram as décadas em que a Escola de Aplicação ficou conhecida como Núcleo Pedagógico Integrado, ou simplesmente NPI, como é popularmente reconhecida até hoje, e diversas são as histórias, memórias e parcerias fechadas nesse tempo, nos outros trinta anos a escola surgia como “Escolinha da UFPA”, se adaptava a novos níveis de ensino com o Ginásio de Aplicação e nos últimos 16 anos vem se tornando uma referência dentro da estrutura da Universidade Federal do Pará em termos de ensino, pesquisa e extensão3.
Essa Escola de Aplicação de hoje tem muito a contar, foram muitas as histórias vividas por professores, servidores, estagiários e, sobretudo, alunos e alunas que desde cedo frequentaram esse espaço que para muitos é um lugar de memória, para outros um território de resistência e para todos é um lugar onde o amor pela educação se renova a cada geração de professores, alunos e técnicos que chegam a ela e que saem deixando parte de si.
O projeto “Escola de Aplicação 60: histórias, memórias e parcerias” buscará nos próximos meses catalogar diferentes memórias com o intuito de obter distintas leituras sobre o passado, reunido elas em diversas formas de ler o passado seja através da história oral, da pesquisa documental, da criação de um acervo fotográfico, da escrita dessas histórias através de um livro e da celebração dessa efeméride em um evento que dê visibilidade para o que foi construído até aqui e para o futuro que queremos para a nossa escola.

Justificativa

Karen Lisboa nos lembra que comemorações fazem parte da vida social, nas esferas pública e privada, ao mesmo tempo em que destaca que tais comemorações são fenômenos das sociedades contemporâneas laicizadas e que, dessa forma, os “aniversários redondos” acabam por testemunhar essa relação temporal dando destaque para tais datas sejam comemoradas com mais ênfase.
Lisboa destaca em sua análise o clássico “Les lieux de mémoire”5, de Pierre Nora, para marcar lugar sobre o fato de que as comemorações se moldam as necessidades e projetam aquelas que as representam, elas são gestos que demarcam lugares de memória e sintetizam relações entre a história e a memória, que não são sinônimos. Os lugares de memória se encontram nesse cruzamento da história e da memória de modo que o que nasce nesse lugar em formato de memórias já não é mais espontâneo. Para a autora:


A necessidade de se criar arquivos, de manter os aniversários, de o organizar celebrações, de pronunciar necrológios, de lavrar atas e assim por diante são operações que nada têm de natural e espontâneo. São atos dotados de uma complexidade que se revela pelo fato de tocarem três dimensões: a material, a simbólica e a funcional. Por exemplo, um arquivo – algo de caráter material – somente torna-se lugar da memória quando investido de uma aura simbólica. Ou algo muito funcional, como um livro escolar, um testamento, uma associação de ex-combatentes precisam passar por alguma forma de ritualização para vir a ser um lugar da memória. Até um minuto de silêncio, algo prenhe de extremo significado simbólico, tem a sua materialidade enquanto recorte de uma unidade temporal e serve como uma evocação concentrada da lembrança6.
 

Há, portanto, a escolha de uma narrativa a ser evocada na efeméride as quais, para a autora estão subdividas nas dimensões material, simbólica e funcional do projeto que se pretende levar a cabo e que devem ser percebidas nos métodos utilizados para se alcançar os objetivos a que esse se propõe. Estabelecer que tal projeto está amparada no bojo das histórias, das memórias e das parcerias é dizer que há um método claramente posto, o da história, mas que desvela possíveis tangenciamentos que nos conduzam ao que de importante foi produzido ao longo dos 60 anos da EA/UFPA.
Desde 2018 a seção regional da ANPUH/RJ já vem apontando para a necessidade de abrir a história para as parcerias com outros campos que, há muito, são mobilizados por historiadores. Para Márcia Motta é chegada a hora de pôr em prática o que se convencionou chamar de interdisciplinaridade, mas que, para ela, no fundo são parcerias. Falar sobre essa questão é falar de um problema de difícil solução, haja vista as barreiras impostas pela academia que nos congela, apesar disso, falar em parcerias entre a história e outros campos é falar de um desafio capaz de nos levar muito além do que já vem sendo produzido pela historiografia7.
Nesse sentido, o projeto “Escola de Aplicação 60 anos: histórias, memórias e parcerias” justifica-se pela emergência das comemorações da efeméride, sendo um projeto guarda-chuva coordenado por um historiador vinculado a instituição e compartilhado com os demais docentes da equipe de história da instituição e que está aberto a parcerias com docentes, ex-docentes, discentes, ex-discentes, técnicos da ou de fora da instituição que queiram contribuir com o projeto dentro dos objetivos a seguir propostos.

Objetivos

Geral


O projeto “Escola de Aplicação 60 anos: histórias, memórias e parcerias” tem como objetivo principal abrigar uma série de outros projetos que tenham como fim as comemorações dos 60 anos da escola em março de 2023.
 

Específicos


a) Criar um site para abrigar o projeto;
b) Realizar 60 entrevistas com professores, servidores e alunos que tenham relevante importância para a história da instituição;
c) Produzir vídeos institucionais abordando as questões centrais pesquisadas no projeto;
d) Criar as redes sociais oficiais do projeto visando alcançar o maior número de pessoas interessadas em fazer parte do projeto;
e) Organizar um álbum fotográfico digital interativo com registros fotográficos diversos e disponibilizar na aba do projeto e nas redes sociais do projeto;

Metodologia

O projeto “Escola de Aplicação 60 anos: histórias, memórias e parceria” é um modelo de projeto conhecido como “guarda-chuva”, ou seja, abarca não apenas um único projeto, mas vários outros projetos que serão apresentados em Planos Individuais de Trabalho previamente definidos pela equipe de História da EA/UFPA, bem como estará aberto para a comunidade escolar e para o público externo interessado em contribuir com a consecução do projeto, abrangendo, portanto, um campo em franco crescimento no campo da história que é a História Pública .
Dessa forma compete destacar que diversos podem ser os métodos utilizados dentre os quais destacamos, a priori, os métodos mais usualmente utilizados no campo da história, tais como a pesquisa em arquivos, a história oral, a catalogação de registros fotográficos, o diálogo com públicos diversos através da já citada história pública e os territórios abertos para a história a partir das múltiplas parcerias que poderão ser estabelecidas junto ao projeto.
A criação de uma aba no site institucional da Escola de Aplicação, por exemplo, dialoga diretamente com os questionamentos propostos por Bruno Leal de Carvalho8, quando elenca uma série de plataformas digitais onde qualquer pessoa pode produzir conteúdo, inclusive conteúdos sobre o passado. Para ele, a ausência do historiador nesses espaços acaba por levar, em diversos casos, a um questionamento sobre a sua autoridade diante daquilo que é produzido sobre o próprio passado.
Para os autores, a participação dos historiadores profissionais no meio digital ainda é tímida, ao que “no mundo analógico” o historiador era uma voz hegemônica ou a grande autoridade na produção de discursos sobre o passado, ainda segundo eles, no “mundo digital” esta autoridade está fragmentada e existem, nesse meio, muitas vozes “autorizadas” a produzir discurso, inclusive sobre o passado, o que é um risco9.
No que se refere a realização das 60 entrevistas que serão disponibilizadas nesse site, compete destacar não somente a metodologia da pesquisa em história oral, mundialmente conhecida e balizada em manuais como os de Verena Alberti nos clássicos Manual de História Oral10 e Ouvir contar: t
extos em história11, mas, também, nos atuais estudos de Ricardo Santhiago e Valéria Barbosa de Magalhães História oral em sala de aula12, quando destacam que apesar dos avanços no campo e do seu imenso potencial pedagógico, os produtos oriundos da história oral ainda são pouco utilizadas em sala de aula.
Para Ricardo Santhiago e Valéria Barbosa de Magalhães, a história oral vai ao encontro de seu tempo e como instrumento educativo relativamente novo, pode se alinhar às muitas demandas, oferecendo um sopro de ar fresco em meio a discussões sobre melhores formas de ensinar e aprender. Ainda, segundo eles, esse método dá ênfase ao papel do professor, ou as potencialidades do aluno, sobre ferramentas alternativas de ensino que se pode recorrer, sobre a necessidade de uma aproximação maior entre o conteúdo escolar e a vida do estudante13.
No que compete a organização de um acervo fotográfico digital seguiremos a linha da História Pública sobre a organização desses tipos de acervo e buscaremos integrar páginas de perfis públicos como o “Reencontro NPI”14 que integra uma rede de cerca de 1700 participantes no Instagram e disponibiliza mais de 1000 fotografias ex-alunos, atividades, palestras, eventos e temas diversos. A parceria com o perfil Reencontro NPI já foi firmada e será um importante canal de contato com ex-alunos que poderão vir a participar de etapas do projeto.
A organização do e-Book digital e organização do evento ficarão por conta da coordenação do projeto, equipe de História da EA/UFPA em parceria com a Direção Geral e COPEX, os quais viabilizarão os meios necessários para o cumprimento dessa etapa do projeto entre os anos de 2022 e 2023.

Citações

1 CORREIA, Evelline Soares. Colégios de aplicação pedagógica: sua história e seu papel no contexto educacional brasileiro. Rev.Eletrônica Pesquiseduca, ISSN: 2177-1626, v. 09, n. 17, p. 116-129. jan.-abr.2017. Disponível em: https://periodicos.unisantos.br/pesquiseduca/article/view/619?msclkid=1b5679e3ac4211eca379c089eb72eced. Acesso em: 25/03/2022.
2 SÁ MOTTA, Rodrigo Patto. As universidades e o regime militar. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.

Idem, p. 37.

3 Atualmente a Escola de Aplicação abriga 54 turmas que vão da educação infantil ao ensino médio e conta com 1347 alunos, 158 professores e 51 técnicos administrativos.
4 LISBOA, KM. I Comemorações, memória, história e identidade. In RODRIGUES, J., org., NEMI, ALL., LISBOA, KM., and. BIONDI, L. A Universidade Federal de São Paulo aos 75 Anos: ensaios sobre história e memória [online]. São Paulo: Unifesp, 2008. pp. 35-91. ISBN: 978-85-61673-83-3. Available from SciELO Books <http://books.scielo.org>.
5 NORA, Pierre. Lês lieux de mémoire. Paris: Gallimard, 1984.
7 MOTTA, Márcia e Mônica Martins (Orgs.). História e parceria. Rio de Janeiro: Editora Proprietas, 2021, p. 03.

8 CARVALHO, Bruno Leal Pastor. Onde fica a autoridade do historiador no universo digital? In: MAUAD, Ana Maria; Santhiago, Ricardo e BORGES, Viviane Trindade. Que história pública queremos? São Paulo: Letra e Voz, 2018.
9 Idem, p. 172.
10 ALBERTI, Verena. Manual de história oral. Rio de Janeiro: FVG, 2013.

11 ALBERTI, Verena. Ouvir contar: textos em história. Rio de Janeiro: FVG, 2004.
12 SANTHIAGO, Ricardo e MAGALHÃES, Valéria Barbosa de. História oral em sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.
13 Idem, pp. 09-10,
14 https://instagram.com/reencontronpi?utm_medium=copy_link

Referências

ALBERTI, Verena. Manual de história oral. Rio de Janeiro: FVG, 2013
ALBERTI, Verena. Ouvir contar: textos em história. Rio de Janeiro: FVG, 2004.
AMADO, Janaína e FERREIRA, Marieta de Moraes. Usos & Abusos da história oral. 7. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005.
AMADO, Janaína. O Grande Mentiroso: tradição, veracidade e imaginação em história oral. História. São Paulo, n.14, 1995.
CARVALHO, Bruno Leal Pastor. Onde fica a autoridade do historiador no universo digital? In: MAUAD, Ana Maria; Santhiago, Ricardo e BORGES, Viviane Trindade. Que história pública queremos? São Paulo: Letra e Voz, 2018.
CORREIA, Evelline Soares. Colégios de aplicação pedagógica: sua história e seu papel no contexto educacional brasileiro. Rev.Eletrônica Pesquiseduca, ISSN: 2177-1626, v. 09, n. 17, p. 116-129. jan.-abr.2017. Disponível em: https://periodicos.unisantos.br/pesquiseduca/article/view/619?msclkid=1b5679e3ac4211eca379c089eb72eced. Acesso em: 25/03/2022.

LISBOA, KM. I Comemorações, memória, história e identidade. In RODRIGUES, J., org., NEMI, ALL., LISBOA, KM., and. BIONDI, L. A Universidade Federal de São Paulo aos 75 Anos: ensaios sobre história e memória [online]. São Paulo: Unifesp, 2008. pp. 35-91. ISBN: 978-85-61673-83-3. Available from SciELO Books <http://books.scielo.org>.
MONTEIRO, Ana Maria Ferreira da Costa e PENNA, Fernando de Araújo. Ensino de História: saberes em lugar de fronteira. Educação e Realidade, v. 36, n. 1, Porto Alegre, 2011.
MOTTA, Márcia e Mônica Martins (Orgs.). História e parceria. Rio de Janeiro: Editora Proprietas, 2021, p. 03.
NORA, Pierre. Lês lieux de mémoire. Paris: Gallimard, 1984.
SÁ MOTTA, Rodrigo Patto. As universidades e o regime militar. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.
SANTHIAGO, Ricardo e MAGALHÃES, Valéria Barbosa de.; História oral em sala de aula

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